16 de mar de 2010

Cidade 2030

"O futuro não existe. O futuro se constrói". (CICI 2010)

Pelo menos três grandes eventos sobre o futuro das cidades marcam os primeiros meses de 2010: Conferência Internacional Cidades Inovadoras (Curitiba, março),V Fórum Urbano Mundial (Rio, março) e Exposição Universal Xangai 2010 (maio-outubro, China), com respectivos temas: “Inovar para Viver e Conviver Melhor”, “Direito à Cidade” e “Melhor Cidade, Melhor Vida”.

Nesses eventos, pelo menos três grandes temas transversais saltam aos olhos: a essência das cidades são as pessoas, portanto, há que se mudar as pessoas; é preciso diminuir as lacunas sociais nas sociedades, seja por meio da inclusão digital, tecnológica, seja por meio da gestão participativa; é crucial preparar as cidades para as mudanças ambientais que já começam a acontecer. Água e energia, além da participação social, são considerados pilares básicos para o desenvolvimento de qualquer cidade, para um futuro sustentável.

Cidades que estão se desenvolvendo ou pretendem promover o seu desenvolvimento de forma sustentável estão com seu plano 2030 pronto: Paris (França), New York e Sacramento (EUA), Abu Habi (Emirados Árabes), Sidnei (Austrália), Barcelona (Espanha). Isso significa que são 20 anos para se promoverem e operarem mudanças, consolidar ou construir posições, ou seja, as crianças de hoje estarão ingressando o mercado de trabalho, após sua formação universitária e usufruindo das cidades 2030, como as planejarmos hoje.

A elaboração dos planos 2030 envolve pelo menos quatro fases: a de mobilização dos atores urbanos, formadores de opinião, elaboradores de políticas e tomadores de decisão, para pensar o futuro da cidade; a aceitação do horizonte de 20 anos como prazo suficiente e necessário para se trabalhar na implementação de ações inovadoras; o intercâmbio de opiniões, de experiências e conhecimentos visando o interesse comum; e o compromisso ou pacto de todos os participantes desse processo com relação à construção da visão de futuro definida conjuntamente.

O momento presente não deixa dúvidas de que mudanças ambientais são uma realidade que afeta a vida urbana e não podem ser relegadas a um segundo plano. São duas grandes preocupações: a contribuição de cada cidade para o desafio de baixar as emissões de gases nocivos ao ambiente e a adaptação de cada uma para receber os impactos locais, sejam eles relacionados aos novos índices pluviométricos, à elevação das temperaturas ou ao desafio da eficiência no uso dos três elementos vitais do planeta – solo, água e ar. A energia é um componente transversal, em todas as suas formas, que precisa ser tratada de forma estratégica, limpa e renovável.

Por outro lado, a gestão participativa, que vem caracterizando diversas cidades bem sucedidas do mundo, é apontada como a melhor forma de se transformar, construir ou consolidar territórios urbanos. Cidades são feitas de pessoas que têm suas histórias e sonhos individuais e coletivos, e cuja ação garante o sucesso de uma cidade.

As redes sociais reforçam tal direção: o cidadão, mesmo individualmente, por decisão pessoal, acaba por ser membro de alguma rede social que, potencializada pelo uso das tecnologias de comunicação e informação, têm sido responsáveis por muitas inovações, complementando ações governamentais e empresariais.

Nossas cidades, totalmente e cada vez mais, dependem da energia e buscam formas mais sustentáveis para se manterem: painéis solares iluminam ruas e praças, resíduos sólidos e efluentes geram energia, ônibus elétricos ou a hidrogênio, carro flex e outras novidades chegam ao mercado. É preciso atender a demanda energética de cidades que crescem, mas também é vital reduzir as emissões dos gases que provocam as mudanças climáticas. O transporte coletivo é apontado em várias pesquisas como o responsável por mais de 70% das emissões de várias cidades que podem dar sua contribuição para a redução total no planeta.

Na mesma direção, de forma complementar, o cuidado com a água revela-se cada vez mais crucial para o futuro urbano. Se no passado diversas cidades nasceram pela presença da água, no futuro, as cidades bem sucedidas serão as que puderem oferecer água para seus habitantes, visitantes e potenciais empreendedores.

“Se as tendências atuais se confirmarem, no futuro, a grande maioria da população viverá em cidades. O futuro do planeta, bem como de seus habitantes, estará ligado diretamente ao desenvolvimento das cidades, e nas mesmas estará a chave para o progresso humano. Esses espaços urbanos devem proporcionar condições para que as pessoas possam desenvolver suas habilidades criativas e inovadoras, com vistas a garantir um futuro melhor para todos.” (CICI 2010).